SOBRE O TOPÓNIMO “CARRAPATEIRA”
(um apontamento)

O topónimo “Carrapateira” (CMP 592), atribuído a um aldeia da freguesia da Bordeira (concelho de Aljezur), pertence a um grupo de designações antigas, abundantes em todo o país, relacionadas com nascentes e/ou pontos de abastecimento de água.
Trata-se de um nome com origem semita, nascido de falares fenícios/cartagineses, utilizados na Península Ibérica pelo menos entre a Primeira Idade do Ferro e a Romanização. Parecem-me plausíveis três hipóteses explicativas, tendo em conta a existência na aldeia de um poço/fonte, hoje entulhado, do qual se diz ter escondido um tesouro:
1. QR PTR – “fonte que corre”, “fonte que sai de uma fenda ou de uma racha” ou “fonte pública”;
2. QR PT HR – “fonte que rejuvenesce no monte” ou “fonte onde se namora no monte”;
3. QR PT OR – “fonte que rejuvenesce na povoação” ou “fonte onde se namora na povoação”.
Perante estas hipóteses, há que estudar mais aprofundadamente o local e as tradições orais que o envolvem, de modo a solidificar as explicações. Da sua leitura, podemos apenas ter a certeza que “Carrapateira” tem relação com uma fonte; não sabemos, contudo, se o termo se refere a uma característica da nascente ou à sua localização no sopé do monte ou já no interior de uma povoação proto-histórica.
Pertencem à mesma família os topónimos aljezurenses “Carriagem” e “Fonte da Coropita” (Aljezur, perto do castelo).


BIBLIOGRAFIA
Espírito Santo, Moisés (s/d) – Dicionário Fenício – Português. Lisboa, Instituto de Sociologia e Etnologia das Religiões – Universidade Nova de Lisboa: 128, 200, 207, 210 e 216.

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